
- Então tudo bem. Por onde começo? - Suspirei ao pensar que se fosse contar tudo, ela só se casaria no mês que vem.
- Pelo início, quero saber tudo.
Na minha infância eu não fui exatamente a garota mais popular da escola, pra falar a verdade, nem na minha infância e nem em boa parte da minha adolescência. Passava os recreios conversando com as moças da cantina ou brIncando de bolinhas de gude com os meninos, eu sei, é idiota. Até que um dia, eu resolvi seguir um garotinho, o nome dele era Bernardo. Ele desaparecia todos os recreios, então eu o segui, descobri que ele brincava sozinho atrás da diretoria.
- Porque você está me seguindo? - Ele disse ao notar minha presença.
- É que aqui é tão bonito. - Respondi olhando em volta, aquele era o lugar mais bonito da escola, atrás da diretoria, um escorregador velho no meio de um jardim natural. Florezinhas brancas e pequenas, nenhuma criança para disputar os brinquedos, eu fiquei maravilhada.
- Saia aqui! - Ele veio na minha direção.
- Não posso brincar com você? - Eu realmente não sabia o porquê de ele não me querer por ali.
- Não, não pode. - Ele me empurrou e eu tropecei em uma pedra. Meu joelho mais tarde ficaria roxo.
Meus olhos se encheram de lágrimas, abaixei a cabeça e comecei a chorar que nem um gato miando, meiga, idiota.
- Ei, espera, porque eu tenho que saber que um garoto te empurrou? - Aline me interrompeu.
- Porque foi ai que tudo começou. - Eu odiava admitir isso.
- Não, não chora. - Ele arrancou uma flor do chão e colocou no meu cabelo. - Olha como você ficou linda. - Então, ele me pegou pela mão e me sentou no escorregador. - Para de chorar.
- Tudo bem. - Eu olhei pro lado, tentei esquecer o fato de que os olhos verdes dele ficavam lindos naquela luz de meio de tarde.
- Você pode brincar comigo. - Ele se deu por vencido.
Eu e ele nunca nos tornamos amigos, nós apenas brincamos, e eu era só a menina chorona. Ele prometeu danças quadrilha comigo, quando chegasse a festa junina, mas antes disso, ele parou de ir na aula. Fiquei me perguntando se havia saido da escola ou algo do tipo, nunca realmente soube o que aconteceu.
Alguns anos depois, é que a verdadeira diversão começou. Eu era uma adolescente maluca, cabelo com mechas rosas, ia de festa em festa atrás de diversão, afinal, quem precisa de amor quando se tem vodka e muitos amigos.
Certo dia, houve esta festa a fantasia, eu estava vestida de mulher gato, mascara preta e orelhinhas, era fofo, mas irritava um pouco. Tinha ido com alguns amigos, nós estávamos dançando, ”Love Generation” tocava. Notei um garoto se aproximar de mim, e é claro, minhas amigas me avisaram antes dele chegar a um raio de 1 metro.
- Olha, tem um garoto vindo na sua direção.
- Bonito? - Logo questionei.
- Não dá pra ver, ele tá de Batman.
- Sabe, nas versões originais dos quadrinhos, batman tem um caso com a mulher gato. - Ele pegou a minha mão e disse isso no meu ouvido.
- Eu nunca li, sou só uma boba vestida de preto. - Respondi ao pé do ouvido dele.
- Vamos para outro lugar?
Antes de eu responder, Juliana fez um sinal negativo com o rosto. Eu havia prometido a ela que não ficaria com ninguém, aquela era uma noite para dançar. Mas eu fui, quando ele se virou puxando a minha mão, disse a Juliana que não ficaria com ele. Ela leu nos meus lábios, apesar da música alta. Ele me levou para um lugar onde havia uma varanda, nós podiamos admirar a lua dali, comparado ao clima da festa, que envolvia pessoas bêbadas se pegando, aquilo parecia até romântico demais. Comecei a olhar para a lua, esperando que ele iniciasse a conversa, nunca fui boa em flertar.
- É bonita, não é? - Ele disse me abraçando por trás.
- É… - Apenas concordei por falta de comentário melhor para fazer.
- Mas não tanto quanto você. - Meu Deus, ele tinha usado mesmo aquela cantada?
- Você nem viu meu rosto, como pode saber? - O desafiei, estava começando a me divertir com aquilo.
- Eu sei que a sua boca é linda. - Ele se afastou, e pegou na minha cintura, parecia que ele estava esperando que eu ficasse de frente com ele. Foi então que eu vi…
- Viu o que? - Aline gostava de me interromper.
- Fique quieta e continue escutando. - Respondi.
Vi aqueles olhos verdes, por trás da máscara de Batman. Fiquei hipnotizada por alguns segundos, seria mesmo ele? Eu queria tirar aquela máscara a todo custo, mas ele não notou a minha subita cara de surpresa. Ele apenas se aproximou mais. Nossas bocas estavam a 1cm uma da outra, e então…
- Nicole, nós temos que ir. Marcos está muito bêbado, acabou de vomitar. - Ela não podia esperar mais 5 minutos? Ok, talves 10 ou 15?
- Já estou indo. - Disse desanimada.
Encarei os olhos dele de novo, tão lindos, não tive coragem de tirar a máscara, mas lhe dei um beijo no rosto antes de ir. Ele não pronunciou mais nenhuma palavra e eu não olhei para trás. Me deixei ser puxada por Juliana, pois senão não sairia dali até amanhecer.
- Porque todo esse drama pra largar o garoto? - Aline parecia mais interessada na minha história do que preocupada com o fato de ficar sentada ali no chão sujaria seu vestido.
- Querida, acredite, o drama ainda não começou. - Respondi antes de continuar.
Fui embora, mal eram 2 horas da manhã. Eu queria tanto beijá-lo, passar nem que fosse alguns minutos a mais ali nos braços dele. Quase cruficiquei Marcos por aquilo depois.
- Porque diabos você misturou cachaça com rum e whisky? - Gritei com ele de ressaca.
- Fala baixo, minha cabeça está me matando. Porque eu queria ficar muito louco. - Ele respondeu baixinho.
- Você me deixou muito louca, sabia?
- E porque? - Ele ingagou.
- Ela estava quase beijando o senhor Batman e eu tive que interromper. - Juliana me cortou.
- Por causa de um garoto, sério mesmo Nicole? - Ele parecia indignado.
- Sim! - Exclamei. - Não era qualquer garoto… Ele era especial. - Sussurrei só para mim mesma ouvir.
- Sabe Nick, por falar nisso, um amigo meu gostou de você na festa.
- Sério… Que interesante. Bonito? - Perguntei sem interesse, irônica, mas ele me ignorou.
- Você julga depois, marquei um encontro pra vocês 2.
- VOCÊ O QUE? - Gritei.
- Você quer me matar é? - Marcos agora falava mais alto.
- Não seria uma má idéia, porque fez isso?
- Porque acho que vocês combinam.
- Quem é? - Disse Juliana.
- O nome dele é Henrique.
- Maravilha, quando é o encontro? - Disse sarcástica. - Posso levar a Ju?
- Na verdade, todos nós vamos.
Algumas semanas depois, fomos todos ao cinema, o que aconteceria a seguir, eu não poderia imaginar.

Eu teria ficado com você pra sempre. Eu era o melhor pra você, eu não teria vergonha de te beijar em público, nem de ser vista com você e seu cabelo despenteado. Eu aguentaria todas as suas frescuras, teria sempre um sorriso no rosto enquanto você contasse uma piada sarcástica e sem graça. Desistiria dos meus sonhos por você, brigaria com os meus amigos. O meu lugar preferido no mundo seria nos seus braços, eu te seguiria pra onde quer que você fosse. Eu faria de cada momento da nossa vida, o mais feliz, como se fosse o ultimo. Me desculparia por todos os meus erros, mesmo que nem os tivesse realmente cometido, só pra você continuar do meu lado. E então um belo dia, você se foi, sem razão. Eu fiquei louca, sabe, milhões de coisas se passaram pela minha cabeça. Me arrependo de tudo que fiz para encontrar uma resposta para o fim do nosso amor. Até que um dia percebi que nunca foi amor. Maldita obcessão, eu teria sido infeliz só pra te fazer feliz. Eu só consegui enxergar com clareza quando você se foi. Estúpido, não é? Gostar de alguém tanto assim a ponto de quase se destruir. Não, nunca foi amor. Foi uma overdose de músicas tristes e filmes românticos que me fizeram acreditar que um dia você faria o mesmo por mim, gostaria de mim tanto quanto eu de você. Eu era só uma conquista pra você, não é? Mas agora eu entendo que eu nunca realmente consegui te entender, que você nunca precisou de mim tanto assim. Ah, você ficaria perfeitamente bem longe de mim. Não era amor, era algo muito mais poderoso, era paixão. O problema é que, paixão tem data de validade.
- Você me fez mais louca (YouMakeMeCrazierBaby)
(via youmakemecrazierbaby)

Pra ser sincera, você não merecia nem o meu ‘bom dia’, nem o meu beijo de boa sorte, muito menos o meu ‘se cuida’. Porque como qualquer criança boba, eu pensava que você queria que eu cuidasse de você. Você não merecia a minha preocupação quando você estava doente, muito menos o meu consolo, nas noites frias e carentes. Você não merecia a minha saudade, não, você não se esforçou pra me conquistar. Você nem sequer era digno do meu afeto, porque você era só mais um cara bonitinho e legal, e disso o mundo tá cheio. Existem tantos por ai iguais a você, mas eu resolvi te olhar de forma especial, eu resolvi te fazer especial. Mas isso não seria o suficiente certo? Porque você não merecia. Você nem sequer precisava de mim, de nada que viesse de mim. Mas mesmo assim, eu me apeguei, te admirei, eu perdi horas valiosas pensando em você. Eu podia estar fazendo coisas importantes, mas eu estava pensando em você. Eu gostei so seu cabelo, mesmo ele sendo uma droga, do seu corpo, mesmo ele estando bem longe de ser sarado, eu gostei do seu jeito, mesmo tendo certeza de que você não era assim só comigo, me apaixonei pelo seu sorriso, mesmo ele não sendo o mais bonito que eu já tinha visto. E o pior de tudo, você não daria o mínimo valor, sabe porque? Eu não merecia… Eu merecia coisa bem melhor. (YouMakeMeCrazierBaby)
(via youmakemecrazierbaby)